Derek and the Dominos – Layla and Other Assorted Love Songs (1970)

31 07 2011

Derek and the Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs

Aproveitando a retomada do blog, cá estou eu para quebrar o combo de bandas indies com uma das minhas bandas velhas favoritas: Derek and the Dominos. Esse nome, a princípio, pode não soar muito familiar, mas certamente os riffs e acordes da música que intitula e encerra o primeiro e último álbum de estúdio dessa banda irão trazer alguma lembrança.

Se isso não soou familiar, ao menos o nome Eric Clapton deve soar. Esse guitarrista dispensa grandes apresentações. O antigo membro dos Yardbirds, John Mayall and the Bluesbreakers e do Cream, partiu em 1970 para sua última banda antes da carreira solo com os músicos Bobby Whitlock (teclado), Carl Radle (baixo) e Jim Gordon (bateria). Para acompanhá-los nessa empreitada, foi convocado o igualmente talentoso Duane Allman, guitarrista do The Allman Brothers Band e um dos grandes mestres da guitarra slide.

Da mistura de estilos dos músicos, nasceu Layla and Other Assorted Love Songs. Em geral, o disco é uma mistura de blues e rock, por vezes intensa, por vezes suave, porém sempre vigorosa e bem trabalhada. Apesar da maioria das canções ter uma estrutura bem simples, é notável como a espontâneidade dos solos de guitarra adiciona uma nova dimensão ao álbum. Todos os músicos da banda fizeram um excelente trabalho, mas é bastante evidente que a guitarra é a grande protagonista desse disco. Alternando entre os licks crus e diretos de Clapton, em algumas músicas está presente a doce e encorpada guitarra slide de Allman, tecendo uma teia que nos envolve do início ao fim da experiência sonora proporcionada pelo álbum.

Com um riff simples e alegre é iniciada “I Looked Away”, a primeira trilha. O clima dessa música é bem suave e feliz, contrastando com a letra com temática típica de blues e talvez alguma pitada de sentimentos reais. A canção relata o abandono de um rapaz por sua mulher, no momento em que ele demonstrou interesse em outra mulher. Por que sentimentos reais? Vale a pena lembrar que foi nessa época que Clapton estava “de olho” na esposa de seu amigo George Harrison, Pattie Boyd, com quem acabou se casando algum tempo depois.

Pattie também inspirou a letra da segunda faixa do disco, intitulada “Bell Bottom Blues”. (Segundo a Wikipedia) Segundo a autobiografia de Clapton, a letra foi inspirada numa ocasião em que Boyd pediu para que ele lhe trouxesse dos Estados Unidos um par de calças boca-de-sino. Em termos musicais, a faixa é lenta e recheada de licks de guitarra disparados por Clapton em overdub e com um refrão melódico e marcante. O solo é curto e eficaz, com destaque no uso de harmônicos artificiais.

É em clima de jam que começa a terceira música, “Keep On Growing”. Os destaques dela são, novamente, os licks de guitarra sobrepostos de Clapton e a primeira aparição dos vocais do tecladista Bobby Whitlock. O solo é caótico, com ao menos três guitarras tocando licks diferentes ao mesmo tempo, mas nem por isso ele soa dissonante.

Em seguida, o timbre de guitarra rasgado de Clapton chega impondo respeito com um lick blueseiro que anuncia o início da lenta “Nobody Knows You When You’re Down and Out”, um standard de blues tocado anteriormente por Jimmie Cox. Alguns segundos depois, somos brindados pela primeira aparição do característico som de slide da guitarra de Duane Allman, que passa a dividir a responsabilidade com Clapton a partir dessa canção.

A faixa seguinte, “I Am Yours”, é conduzida por um som acústico, com uso de chocalhos e bongos na percursão, com a guitarra de Allman complementando a base para os vocais e brilhando no solo suave.

A canção “Anyday” tem uma letra novamente com tema típico de blues. Ela traz novamente os vocais de Whitlock combinados aos de Clapton. Nessa faixa, há bastante destaque nos vocais, que foram cantados com paixão e intensidade bastante envolventes.

O fade-in de um solo de blues tocado por Clapton dá o tom do que aguardar em “Key to the Highway”, uma versão de um standard de blues gravado inicialmente por  Charlie Segar em 1940. A música é base para uma jam de quase dez minutos com solos alternados de Clapton e Allman e estrutura tradicional de blues, com clima similar ao tecido pelos bluesmen de Chicago.

É também em clima de jam entre amigos que “Tell the Truth” entra em nossos ouvidos. O som da guitarra de Allman é bastante proeminente nessa canção, tanto no solo quanto entre os versos.

A rápida “Why Does Love Got to Be So Sad” dá maior destaque para a guitarra de Clapton e mais uma vez conta com vários solos sobrepostos.

Em seguida, surge dos falantes “Have You Ever Loved a Woman”, canção famosa na voz de Freddie King, que tem uma estrutura tradicional de blues e alguns licks de guitarra de Clapton emprestados do homenageado, enquanto Allman mais uma vez toca seu inconfundível som de slide.

Outro cover dá andamento ao álbum. “Little Wing” homenageia o amigo e rival de Clapton, Jimi Hendrix. A faixa, com uso excessivo de reverb, que dá um ar nebuloso e embolado ao som, e com um riff principal pouco inspirado, não faz justiça à versão original de Hendrix. É o único ponto baixo do disco, em minha opinião.

O blues simples e curto apresentado em “It’s Too Late”, com o ótimo backing vocal de Whitlock e solos eficazes, antecede a maior jóia do disco…

“Layla”. Não é a toa que o disco se chama “Layla and Other Assorted Love Songs”. Apesar de todas as músicas serem excelentes, a canção-título está em outro patamar. A levada rápida, os vocais afiados, o riff energético e o solo de slide absurdo incluindo notas fora da escala da guitarra já seriam suficientes para coroar essa trilha como a melhor do disco. Mas não satisfeitos, os músicos incluiram uma parte emocionante de piano com fundo de guitarras sobrepostas ao final da música, a ajudando a ser um dos maiores clássicos do rock. Gostaria de lembrar que todos nós, amantes do rock, devemos agradecer, além da banda inteira, Pattie Boyd, por ter sido inspiração para essa música. Pois é, aparentemente não foi a toa que o Clapton conseguiu conquistá-la.

Exatamente da mesma forma como “Her Majesty” surge após “The End” no disco “Abbey Road”, dos Beatles, após o último acorde de piano de “Layla” soar, um violão dá as primeiras notas da composição calma e simples de Whitlock, “Thorn Tree in the Garden”. E é nesse clima tranquilo que termina esse disco clássico.

Escrito por tseiti

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